SEMPRE NATAL [Clique aqui]
Uma nova tempestade midiática inunda a sociedade com o Natal e a finalização de mais um ano, segundo o calendário adotado no mundo cristão. Intensas modificações por toda parte alteram o cotidiano por um breve período, sob as bênçãos religiosas e, atualmente, sob os imperativos das leis de mercado. Analisando o período natalino, Leonardo Kurcis o divide em duas características: o natal social, convencional, e o natal sob a ótica espiritual, o momento da auto-reflexão e da reflexão sobre o meio (link). Associar o Natal à mídia direciona os comentários por temáticas essencialmente contemporâneas, pois essa data recebe convenções próprias dos seus vários elementos reprodutivos. A reunião familiar tenta superar o período de afastamento que caracteriza o restante do calendário anual. Os festejos em grupos de amigos ou colegas de trabalho, criam uma atmosfera passageira de harmonia e boa vontade, mesmo em ambientes onde os relacionamentos sejam abalados constantemente por tensões e incompreensões. O Natal prossegue como realidade ideal para o ser humano exercer o seu livre direito ao consumo, inspirando-se na figura do Papai Noel dos séculos XX e XXI, configurando a comemoração social, convencional. Encontros e reencontros são regados a excessos alimentares, consumo de bebidas alcoólicas, aquecimento do comércio e dos lucros nos veículos de propaganda. Mas, nesse cenário, há tentativas de estabelecer-se um natal mais reflexivo, onde podemos identificar a colocação do Cristo como elemento central. Há simbologias mais perenes acima da efemeridade do natal social, vivências reais de uma humanidade moralmente consciente que não se apega às convenções irrefletidas. Jesus ocupa lugar central a partir dos seus ensinamentos. O natal espiritual se confunde com a “virada do ano”, prolongando-se por todas as etapas do calendário. Então, nossos comentários abrangem as duas datas comemorativas. O natal com o Cristo não tem a cara do Papai Noel. Ao se reunir para a ceia, a família se compromete com os muitos seres humanos solitários, rodeados ou não de pessoas. A reflexão sobre os famintos do corpo e do espírito inspira agradecimentos por cada alimento levado à mesa. Os olhos dos entes queridos são os motes para orar e agir em favor dos que se ofuscam em lágrimas de sofrimento. Cada presente trocado estreita os laços de família, une esforços por uma prática caridosa em favor do esclarecimento do próximo. Os corações vivem o Natal espiritual, porque Jesus é o centro das atenções como o professor que trouxe diretrizes divinas e as transmitiu pelo exemplo. Como afirma Kardec: Jesus constitui o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo e a doutrina que ensinou é a expressão mais pura da lei do Senhor, porque, sendo ele o mais puro de quantos têm aparecido na Terra, o Espírito Divino o animava. (OLE. Item 625). Sua autoridade decorria da natureza excepcional do seu Espírito e de sua missão divina; veio ensinar aos homens que a verdadeira vida não está sobre a Terra, mas no reino dos céus: ensinar-lhes o caminho que para lá conduz, os meios de reconciliar com Deus, e os prevenir sobre a marcha das coisas futuras para o cumprimento dos destinos humanos. (OESE, cap. 1, ítem 4) No mesmo capítulo, o Espírito Fénelon, amplia as considerações acerca da missão transformadora de Jesus, tendo como base o Evangelho. O Cristo foi o iniciador da moral mais pura e mais sublime: a moral evangélico-cristã que deve renovar o mundo, aproximar os homens e torná-los irmãos; que deve fazer jorrar de todos os corações humanos a caridade e o amor ao próximo, e criar entre todos os homens uma solidariedade comum; de uma moral, enfim, que deve transformar a Terra, e dela uma morada para os Espíritos superiores àqueles que a habitam hoje. É a lei do progresso, à qual a Natureza está submetida, que se cumpre, e o Espiritismo é a alavanca da qual Deus se serve para fazer avançar a Humanidade. (OESE, cap. 1, ítem 11). A reflexão espiritual sobre o natal é a própria análise dos ensinamentos de Jesus, nosso modelo moral enviado por Deus. A simbologia do seu nascimento desperta sentimentos nobres, desejo de segui-lo plenamente. Cabe a cada um transformar esses desejos e sentimentos em ações diárias para empreender a transformação iniciada por ele. Jesus nos ensina sobre superação. Natal e reveillon significam início e transição, onde esperanças e compromissos são renovados. Neste período, ainda em curso, iniciemos um contato mais íntimo com o Mestre. Busquemos o templo do coração para falarmos com ele de forma sincera. A sua palavra fortalece os roteiros de crescimento. Diante dos problemas ouçamos sua vez relembrando: “eu venci o mundo” (Jo, 16:33). Augusto Cury o define como o “mais excelente mestre da emoção”: Enquanto o sol escaldante queimava o seu rosto e podiam-se ouvir os estalidos do martelo, ele mapeava a alma humana. Enxergou além da cortina dos comportamentos e compreendeu o que estava por detrás das reações de cada pessoa. Ninguém foi tão longe em perceber os becos da alma e as vielas da emoção. Sua capacidade de interpretar o ser humano ultrapassava em muito a dos melhores pensadores da psicologia. O carpinteiro da vida, com suas mãos, entalhava madeira e, com suas palavras, lapidava a emoção humana. [negrito nosso]. (p. 113). O Mestre maior andou, viajou, não parou para contar distâncias. Alcançou lugares distantes mesmo sem se apresentar fisicamente. Por todos os lugares, luziu o brilho divino em “espírito e vida” (Jo, 6:63), falando e mostrando o que fazer para exteriorizar o reino de Deus, presente na consciência humana. Multiplicou ensinamentos que construíram o trilho seguro como “sistema renovador”, como identifica Emmanuel: “indicação de caminho, roteiro de ação, diretriz no aperfeiçoamento de cada ser”. No ambiente humano se colocou como o “pão da vida” (Jo, 6:48), contrastando com os arroubos de superioridade, esclarecendo que somos grandes se nos tornamos mais um na luta pelo bem coletivo. Emmanuel afirma: “o pão é invariavelmente pão”. Comida com ambiência quase universal, assume gostos, cores, formatos e funções diferentes, mas continua sendo pão. Seja na mesa do rico ou do pobre, o pão continua exercendo o seu papel de alimento. Assim é a mensagem do Cristo. Pão que alimenta de forma simples e completa. Transformemos o período de final de ano em um festejo constante. Coloquemos o Cristo no seu lugar devido. Superemos os costumes humanos aceitos como completos Viva em harmonia
Cristiano Fádel |
Veja quais são os assuntos do momento no Yahoo! + Buscados: Top 10 - Celebridades - Música - Esportes